Arquitetura no metaverso: quais são as tendências?

Uma das grandes apostas do momento para a economia digital é o metaverso, termo que ganhou projeção em 2021, quando o Facebook anunciou que passaria a se chamar Meta. A mudança indica que a big tech está direcionando sua atuação para esse novo ambiente, compreendido como uma evolução da interação social online. Nesse contexto, a arquitetura no metaverso é uma área que pode ser amplamente explorada.

Vários segmentos devem ser impactados pela chegada do metaverso, considerada a nova fronteira na convergência entre as experiências físicas e digitais. Uma das áreas mais promissoras é a arquitetura que tem o papel de projetar e construir esses novos ambientes de interação. Esse é um trabalho que se desenvolve em conjunto com programadores, desenvolvedores e especialistas em tecnologia.

O que é o metaverso?

O metaverso é um ambiente virtual imersivo que permite uma interação social com características mais realísticas do que as que se desenvolvem hoje na internet. É por isso que o metaverso é considerado por muitos como uma evolução da internet, que está migrando de uma modelagem dimensional 2D para 3D.

A projeção é a de que o metaverso possibilite a realização de uma série de atividades, como interações sociais, transações comerciais, lazer e aprendizado, conectando ações reais do nosso cotidiano ao ambiente digital ou, simplesmente, permitindo novas experiências de entretenimento, como games e shows, com maior nível de imersão.

De acordo com a definição do Facebook/Meta, o metaverso é a próxima etapa no avanço das tecnologias sociais. “Ele permitirá que você compartilhe experiências imersivas com outras pessoas, mesmo quando vocês não puderem estar juntos, e fazer coisas que não poderiam fazer juntos no mundo físico”, descreveu a marca, em comunicado sobre a transição da companhia.

Existem tecnologias e ferramentas fundamentais para permitir essa experiência mais realística e imersiva dentro de um universo virtual, como a realidade virtual, a realidade aumentada, o blockchain, as criptomoedas, o tokens não fungíveis (NFTs) e o próprio 5G, essencial para garantir a infraestrutura desse novo ecossistema que terá uma maior complexidade de elementos, a presença massiva de usuários e inúmeras possibilidades para explorar o ambiente digital.

O universo gamer já tem experimentado um pouco do que seria o metaverso. O jogo Second Life, criado em 2003, ficou consagrado por simular como seria a vida em um ambiente digital. Mais recentemente, surgiram o Fortinite e o Roblox. Esses games são baseados em experiências compartilhadas entre múltiplos jogadores. Os jogos de mundo aberto, nos quais os usuários têm liberdade para explorar o ambiente, também exemplificam esse novo ecossistema.

Para além do contexto gamer, já existem metaversos criados e vendendo terrenos no ambiente virtual. Duas das iniciativas de maior destaque nesse sentido são os mundos descentralizados online: Decentraland e Sandbox. Em novembro de 2021, um terreno virtual equivalente a 566 metros quadrados foi vendido por cerca de US$ 2,4 milhões no Decentraland.

Arquitetura no metaverso: o que está por vir?

O metaverso também é composto por construções que precisam ser projetadas. Embora essas estruturas possam ser criadas por desenvolvedores e programadores, a necessidade de apresentar espaços realísticos requer apoio especializado, que vem da arquitetura.

Se as apostas da economia digital para o metaverso se concretizarem, esses novos mundos podem se converter em excelentes oportunidades para escritórios e profissionais de arquitetura especializados em projetar construções para o metaverso.

O mercado já se movimenta nesse sentido. Um dos principais escritórios de arquitetura do mundo, o Zaha Hadid Architects (ZHA), que está criando uma cidade inteira com economia e governança própria no metaverso chamada Liberland. As construções já estão sendo renderizadas e revelam que a arquitetura tem um terreno fértil a explorar sem as limitações comuns impostas à realidade física.

Nesse novo ambiente de criação, o papel desempenhado pelos arquitetos continua sendo o de compreender as diferentes formas de utilizar os espaços para criar construções e designs alinhados às necessidades e aos desejos dos usuários.

Vale destacar que está tudo por fazer ainda e as possibilidades são enormes. Cada vez mais marcas e instituições devem criar seus espaços dentro do metaverso. Em muitos casos, isso pressupõe projetar edificações idênticas às que já existem no universo físico. Imagine, por exemplo, colocar o Masp dentro do metaverso. Haverá demanda para a projeção dessas réplicas, que são chamadas de gêmeos digitais (digital twins).

Da criação de peças de design a cidades inteiras, as demandas para a arquitetura no metaverso devem ser amplas.

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